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Em cada coisa sentida, uma teoria. Em cada teoria, um conceito.

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Quarta-feira, Dezembro 22, 2004 :::




Daniel Gaudz San vai ser papai!

É legal ver a reação das pessoas quando você puxa uma cadeira, senta, e entre uma garfada e outra fala Vou ser papai! Quem conseguir segurar dentro da boca o que estiver comendo, e em cima da cadeira o corpo sentado, perguntará, depois de tomar um gole de água gelada, Que pourra de papo maluco é esse? É claro, isso só vai acontecer se você estiver numa mesa com seus amigos. Um palavreado destes... Porque se você estiver na mesa com a sua família, ouvirá coisas como De que diabo de merda doida e sem noção você foi fazer da sua vida, guri? E é claro, sempre ouvirá do tio gaiato a célebre Nunca ouviu falar em camisinha e anticoncepcional? Então, talvez, o seu rosto ruborizará. Porque você terá que se manter firme nas convicções pré-comunicado, e, impreterivelmente, nas decisões pós-comunicado - e nestas incluem-se o fato de segurar para não mandar muita gente bacana às favas.
Então, a provável terceira pergunta vai ser Pra quando é? Atropelando até a comunista Quem é a mãe? A sabatina adentrará a madrugada e você terá que prorrogar as respostas para a manhã do dia seguinte. Se é que isso lá será possível depois do café preto da tia gorda que mora longe e que veio correndo quando soube, pelo telefone, através de outra tia gorda, que você ia ser papai pela primeira vez.
Você receberá telefonemas improváveis. Do tio que mora na colônia à ex-namorada que tenta disfarçar o sorriso falso. Da madrinha que nunca mais apareceu ao primo que fugiu pro Paraguai. Do decorador, querendo saber qual será o tema do quarto do filho à tia-avó-da-mulher-do-primo. Alguém, ligando pra te convidar para uma partida de tênis ou de futebol? Esqueça, meu caro.
Então você deixa de ser o fulano, que mora lá, que trabalha ali, que joga bem, que tem um carro bacana. Você passa a ser chamado apenas - e carinhosamente - de Papai mais fresco da área. E você ouvirá muito isso, se acostume. Vai ser a coisa mais engraçada que você ouvirá dos amigos de longa data. Exceto se você achar engraçado a asquerosa Tem certeza que o filho é teu?
Acontecerá de você achar que as coisas estão fugindo do controle. É claro. Uma situação nova, que você nunca viveu na pele antes. Uma coisa que, se não tira o sono, pelo menos deixa um friozinho na barriga. Todo homem tem seu limite, sabe. Aí você chega em casa, numa sexta-feira cansativa, pedindo a Deus que lhe dê um bom banho quente ao som de um CD de Jazz que você recém comprou. Abre a porta e o coração bufa com os berros, assovios, ÊÊÊÊÊÊ, língua-de-sogra, confetes, serpentinas. Sim, festa surpresa. Aí você faz cara de feliz e concorda, consigo mesmo, A coisa foi longe demais, preciso fazer alguma coisa. Pessoal, é o seguinte, eu nunca pensei que se vestir de vermelho e sair por aí distribuindo presentes, balas, bombons e chicles fosse uma coisa tão difícil... e principalmente digna de uma comemoração tão grande. Então, depois disso, você poderá ser chamado de papai, sim, mas não sem ter de tomar um banho de cerveja e uns petelecos da tia gorda.

::texto também publicado no site noitepf.com

E um feliz Natal para todo mundo!!



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Sábado, Dezembro 18, 2004 :::


Novidade para os participantes doOrkut.

A menina Lena, como podem ver nos comentários anteriores, criou uma Comunidade, entitulada Teoria do Conceito - Eu Leio! E já que a boa regra de etiqueta manda que agradeçamos as boas ações em nosso favor e, de imediato, atendamos os pedidos dos mesmos, está lá, respondido ao convite, o primeiro tópico.
"Seja feita a vossa vontade", propõe que cada amigo continue com uma estrofe, frase, palavra, uma poesia que não tem hora nem lugar para acabar. Apenas conta com a imaginação.

Se aqui cabe, agradeço mais uma vez, Lena.



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Terça-feira, Dezembro 14, 2004 :::


breve novela de uma linha só

porque talvez seja a solidão acompanhada
a mais dolorosa das chagas
expostas no palco dos rostos
quase em preto-e-branco
quase mortos
numa mancha de sangue de mãos levadas ao céu.

porque eu posso te esperar na casa quente
de uma noite fria
e na labareda dos teus olhos
quando encontrar perdidos pelo chão
-fragmentos de amor
em papel picado
sob a luz de velas sonolentas
que assiste ao sorriso apaixonado

porque eu posso te esperar na casa clara
de uma tarde quente
e na água da tua boca
quando encontrar perdido meu corpo
algo assim algodão
- pra secar tua vontade
no balanço sonoro de uma rede
que acolhe o amor entregue

porque eu posso te esperar à calçada
da praça da vila
na noite de lua cheia
quando as flores banhando a grama
vierem seguir teus passos
e crisparem teus pés
eu, de braços abertos

e tudo é melodia
e tudo é tempo
e lugar
e ainda me ponho aqui
por
ver
você
até
quando
fecho
os
olhos

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Segunda-feira, Dezembro 06, 2004 :::



Eu, modo de usar
parte XV


Me ame
mas não demonstre
guarde pra ti
use
quando me pegar
em desuso
abalado ou pedindo desculpas
"... alma de quem sempre erra"

Me ame oito ou oitenta
Sem meio termo
Porque a minha briga é sincera

Até que eu não preciso de nada pra viver
Só de uma atriz
que fique nua no ponto do ônibus

Eu podia descrever-me em mil partes
Cada parte um ato.
Mas não!
Quem quiser que me desvende
me cubra
ou me deixe no frio longe e desconhecido
do anonimato dos que vivem
mortos

pré-conceituado por Gaudz :::

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Sábado, Dezembro 04, 2004 :::



Um número de paixão

na corda bamba, quero ser teu contrapeso
no número de facas, assoviar nos teus ouvidos
no globo da morte, quero ser teu copiloto
no vai e vem do trapézio, quero ser quem te segura

quero te acompanhar pelas ruas do rio
sorrindo ou chorando
quero me molhar todinha só para te deixar
sequinho neste temporal
quero te abraçar apaixonado
sentir teu coração pulsar
quero te beijar do oiapoque ao chuí, bem te vi

porque eu sei que teus cabelos são tempestades
que me alucinam
que despencarei toda vez que subir nos teus andaimes
que me esfaquearei transtornada
com as tuas sutis insinuações
sobre o tempo
que me transmutarei em nêspera cada vez que me disseres:
- hasta luego, luz del fuego.

que vagarei sem esperanças quando desapareceres
das cenas dos meus próximos capítulos
que capitularei enfim, com a cabeça espatifada
nos escombros do meu próprio coração.

[Chacal]


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+ temp. Sussu